quarta-feira, 24 de julho de 2013

Frio, DFW e pilhas

Frio do cão. Vontade de abrir um dos livros do Chandler e arrancar de lá uma garrafa de rye para aquecer o frio e espantar o nada.
Pena que, do nada, lembrei que isso não funciona.

Esse daí de cima é meu mesmo. Nem parece. Ou então está na cara.

Uma pilhinha bem tsundokada repousa em minha estante:
  • O Certificado - Isaac Bashevis Singer.
  • The Portable Faulkner - William Faulkner (óbvio)
  • O Solar - Isaac Bashevis Singer
  • Ripley Subterrâneo
Pra ajudar, acabo de achar 'A Irmãzinha', do Chandler em promoção na Cultura, mas fica pra depois. O próximo livro a chegar por aqui deve ser um do DFW. Já estava querendo ler algo, mas depois que li isso...

Tem dois caras sentados juntos num bar numa região remota do Alaska. Um dos caras é religioso, o outro é ateu, e os dois estão discutindo sobre a existência de Deus com a intensidade especial que vem depois da quarta cerveja. E o ateu diz: “Olha, não é como se eu não tivesse razões verdadeiras pra não acreditar em Deus. Não é como se eu nunca tivesse experimentado essa coisa toda de Deus e oração. Mês passado uma nevasca terrível me pegou longe do acampamento, eu tava completamente perdido, e não conseguia ver nada, e tava 25 graus negativos, então eu tentei: eu caí de joelhos na neve e gritei ‘Ó Deus, se existir um Deus, eu tô perdido nessa nevasca, e eu vou morrer se você não me ajudar.’” E agora, no bar, o cara religioso olha pro ateu confuso. “Bem, então você deve acreditar agora”, diz ele. “Afinal, aqui está você, vivo.” O ateu rola os olhos. “Não, cara, o que aconteceu é que dois esquimós por acaso apareceram por lá e me mostraram o caminho do acampamento.”

Cinicamente sensacional. Não tem como não ler. Tradução de Luís Calil. Texto completo aqui.

Devo começar com Breves Entrevistas com Homens Hediondos, passando por 'Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo' (sim, o título é desse tamanho mesmo) e terminando em Infinite Jest, gracias a Caetano Galindo. No original, no way.

Mas antes disso, o meu psicosociopata favorito vai rodar.

sábado, 29 de junho de 2013

As paixões de Singer

De todos os livros que eu comprei no Rio, o que mais me empolgou e continua empolgando, já que nem terminei de ler, foi o Obsessões e Outras Histórias, do bom e velho Bashevis Singer.

Publicado originalmente com o título Passions and Others Stories, ele é um apanhado de contos (até agora, os melhores) de um dos melhores da arte. Entremeado de trechos (aparentemente, vai saber) autobiográficos e puro lirismo, sem cair na pieguice, Singer nos leva a um fantástico mundo de fantasmas, beleza, morte  e desilusão.

Suas histórias se passam desde a (às vezes nem tanto) moderna Nova York até a Varsóvia de antes da guerra, passando por Lisboa, pequenos shtetls no interior da Polônia e outros lugares não nomeados.

O destaque vai para o conto 'A admiradora', que poderia muito bem ser adaptado para um episódio de Curb Your Enthusiasm, do excelente e também judeu Larry David.

Outras histórias dignas de nota são 'A feiticeira' e 'Sam Palka e David Vishkover'.

Se as histórias (supostamente) autobiográficas são reais, o Sr. Singer era um grande pegador, mesmo que já avançado em idade. Vai saber...


segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Silêncio do Túmulo

Depois de ler Stieg Larsson, abri os olhos (e a estante) para os autores nórdicos. A mais nova descoberta foi o autor Arnaldur Indriðason (Não faço idéia de como se pronuncia, então vai Indridason mesmo).

Islandês de Reykjavik, Arnaldur é graduado em história, trabalhou como jornalista, escritor freelancer e foi crítico de cinema até 2001.

Seu primeiro livro, que também é o primeiro com o detetive Erlendur, Synir duftsins ou Filhos do Pó, que não ainda tem tradução para o português, foi publicado em 1997. Com A Cidade dos Vidros ele ganhou seu primeiro Glass Key Award e com O Silêncio do Túmulo ele ganhou um Glass Key e um Gold Dagger Award.

O Silêncio... foi minha porta de entrada ao frio mundo de Arnaldur.

Um esqueleto é encontrado em um canteiro de obras em um subúrbio da capital islandesa. Quase de pé, o que sugere que a pessoa tenha sido enterrada viva, é o estopim para acender a trama. Quem foi enterrado ali? Porque? Por quem?

Com diversas possíveis vítimas e quase nenhum suspeito, o detetive Erlendur e sua equipe se envolvem nessa ingrata missão, para desvendar um crime do passado, do qual provavelmente nenhum dos envolvidos esteja vivo.

Diferentemente do detetive de Lars Kepler, Erlendur é muito bem caracterizado, com seus dramas e dúvidas pesando a cada passo, de uma forma que faz o leitor se importar com o protagonista, o que definitivamente não acontece com Joona Linna.

Com uma trama engenhosa, entrecruzando duas linhas de tempo, O Silêncio do Túmulo é diversão garantida, conseguindo prender a atenção de forma permanente. Um verdadeiro pageturner.

O próximo livro dele à ir para a estante será a Cidade dos Vidros. Só resta saber quando. Isso faz parte do suspense.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Lendo no ônibus



Esse sou eu.
Vocês não tem idéia do sofrimento que é fazer uma viagem de ônibus sem um livro à mão.

Achado na página do Lombadas Sebo Virtual.
Vou ver se compro algo lá.

domingo, 2 de junho de 2013

Sebos na Tiradentes e arredores

Rio. Praça Tiradentes. Um monte de livros em volta. E claro, diversão garantida e muitas dúvidas sobre o que levar e o que deixar por lá.

Resultado do saque.

Livraria Marins. Sebo simpático, com cara de biblioteca de escola. Arrumadinho e bem limpo. Achei muitas coisas lá. A Fábula, do Faulkner, que deixei lá por conta da capa descolando. E o Infância de Gorki, que deixei lá não sei porque.

Lá vi uma biografia do Sartre, um calhamaço bem caro (70 reais), que lá ficou e uma coleção de 8 volumes do Alexandre Dumas, de 1967 por 700 reais que a menos que aconteça algo muito fora do comum, não virá para a minha biblioteca.

De lá trouxe Almas Mortas de Tolstói e um livrinho do Garfield de 1981, coisa linda, para o Attila. Tinha muito mais coisas, mas o tempo era curto. Merda.

O outro foi o Academia do Saber, na rua Luiz de Camões. Tem outro na Constituição e mais um na Avenida Passos.

Logo que você chega, é saudado por uma muralha de Westeros. Só que ela não é feita de gelo. Não sei porque está lá, mas aquela pilha tem fácil uns 3000 livros.

Fora o resto, todas as paredes lotadas, as estantes menores no meio do salão. E o segundo andar. Ali sim temos livros. Atrás das transbordantes prateleiras, temos livros empilhados horizontalmente. Uma farra.

Lá eu fiz um massacre nos livros do Isaac Bashevis Singer. Só sobrou lá o ótimo Breve Sexta-Feira, que tenho e já li. Também , com 20% de desconto na compra de 5 livros à vista ou no débito, ficou sussa. Além deles, trouxe o Homem que via o trem passar, do Georges Simenon, que já estava querendo há algum tempo.

Muito legal, mas demanda tempo ficar garimpando entre aquelas relíquias.

Sei que existem duas desgraças para o homem. Uma é aquela do Faulkner, que a única coisa que o homem pode fazer 8 horas por dia é trabalhar. E a outra é do Frank Zappa, do "so many books, so little time".